Ana Brandão em "O Arranca Corações" a partir de Boris Vian | Encenação de Nuno Nunes

Tiagomorto, psicanalista, é um homem sem passado que chega a uma casa onde Clémentine está prestes a dar à luz. Ajuda-a no parto de trigémeos e, a partir dali, torna-se hóspede daquela casa. Procurará à sua volta pessoas para psicanalisar e, desta forma, preencher o seu corpo duma matéria de vida que não tem, feita das memórias e do sofrimento dos outros. A aldeia é o microcosmos dum mundo às avessas. Nuno Nunes adapta o romance de Boris Vian ao teatro, procurando refletir aquilo que, nos nossos dias, identificamos como absurdo, brutal e excessivo e a que respondemos, na maioria das vezes, com indolência. Um espetáculo com música ao vivo, sobre a lucidez e contra a indiferença.

“Este romance inquietante de 1953, como retrato anamórfico da realidade, testemunha a nossa eterna perplexidade perante a humanidade. Reflete um universo no limiar do inconsciente, feito de pulsões e de vertigem: é Boris Vian musical e irreverente, com o coração a saltar-lhe da boca, a falar-nos através dum homem sem paixões que precisa de assimilar a experiência dos outros para sentir-se existir; é suspense, ficção científica e onirismo negro, devassante; são os ecos de Jarry e de Arrabal, as marcas das grandes Guerras, a herança do futurismo e a emergência do absurdo; é ironia e derisão; é o amor que oprime; é a pergunta por Deus. E é o espelho de nós próprios, hoje, a viver no limiar do entendimento, a violência misturada nos nossos gestos ternos, a lavagem da nossa culpa e a eminência do esquecimento.”

DRAMATURGIA E ENCENAÇÃO Nuno Nunes CONCEÇÃO PLÁSTICA Patrícia Raposo DESENHO DE LUZ Cristóvão Cunha MÚSICA E DESENHO DE SOM Nico Tricot INTERPRETAÇÃO Ana Brandão, Emanuel Arada, Hugo Sovelas, Miguel Damião e Sofia Dias PRODUÇÃO EXECUTIVA Diana Almeida PARCERIAS O Espaço do Tempo, Teatro O Bando, Act – Escola de Actores, Teatro da Terra, Primeiros Sintomas e Chão de Oliva COPRODUÇÃO Propositário Azul, FITEI e São Luiz Teatro Municipal Espetáculo financiado pela República Portuguesa – Ministério da Cultura – Direção Geral das Artes