Carolina Amaral em "The Scarlet Letter" de Angélica Liddell

Angélica Liddell, controversa e essencial criadora espanhola que apresenta regularmente a sua obra em Portugal, parte de A letra escarlate para trabalhar temas recorrentes na sua criação, como a escuridão da condição humana. Citando o clássico de Nathaniel Hawthorne – "Somos as flores negras de uma sociedade civilizada" - a dramaturga, encenadora e atriz rebela-se contra aquilo que identifica como a violência da hipocrisia moral em tempos de puritanismo: "A condição puritana não suporta a causa obscena da fecundação e da multiplicação, esconde a origem genital de nossa conceção e do nosso nascimento, nega que o feito sublime da vida e do amor proceda do desejo, de um movimento sujo e violento entre pénis e vulvas, de uma paixão irreprimível e irremediavelmente violenta, e, claro, não tolera em absoluto a raiz sexual de nossas alegrias e das nossas dores”.

de Angélica Liddell, a partir do livro de Nathaniel Hawthorne 
Encenação, cenografia e figurinos Angélica Liddell
com Angélica Liddell, Antonio L. Pedraza, Antonio Pauletta, Borja López, Daniel Matos, Eduardo Molina, Joele Anastasi, Julian Isenia, Nuno Nolasco, Sindo Puche, Tiago Costa, Tiago Mansilha
figuração Afonso Antunes, Carolina Amaral, José Santos
desenho de luz Jean Huleu
desenho de som Antonio Navarro
direção de cena Nicolas Guy Michel Chevalli