Rita Cabaço em "A BOA ALMA DE SÉ-CHUÃO" encenação de Peter Kleinert

Rita Cabaço tem um Prémio da Crítica, um Prémio da SPA e um Globo de Ouro é protagonista da peça A Alma de Sé-Chuão vestindo a pele de Chen Te, uma jovem prostituta que acolhe três deuses que vieram à procura de uma boa pessoa num mundo mau.

Sinopse
Será que alguma vez se poderá satisfazer a ambição de “viver de forma decente” ou ser uma “boa pessoa“? Será que é possível ser-se digno e ter sentido de moral, numa sociedade dominada pelo egoísmo, a corrupção, a exploração e a ganância? E será que querer ser-se bom constitui um objectivo legítimo, num mundo no qual os direitos não são igualitários? E enquanto uns gozam as suas posses, direitos e privilégios – tendo acesso à educação, à prosperidade e ao emprego -, outros vivem na exclusão, opressão, discriminação e escravatura? Na sua parábola teatral, Bertolt Brecht envia três deuses à procura de uma boa pessoa num mundo mau – mais precisamente, à província chinesa de Sé-Chuão. A jovem prostituta Chen Te oferece-lhes abrigo por uma noite sem esperar nada em troca, e os deuses acabam por dar-lhe dinheiro. Esta oferta permite que Chen Te escape à prostituição: promete aos deuses que há-de tornar-se numa boa pessoa e abre uma tabacaria. Mas rapidamente as dívidas se acumulam, e cada vez mais pobres vêm pedir ajuda e abrigo à nossa heroína, ao ponto de o negócio ficar à beira da falência. Chen Te é obrigada a criar um alter-ego, desaparecendo e regressando pouco depois disfarçada de um suposto primo seu: Chui Ta, que se revela mais adepto da lógica de mercado pura e dura, do que propriamente da caridade. Chui Ta acaba por empregar os pedintes na tabacaria e evita a falência. Entretanto Chen Te apaixona-se pelo aviador Sun, que também precisa de dinheiro, acabando por ter um filho deste homem. Mas rapidamente surge entre as restantes personagens a suspeita acerca do seu estratagema, que consistia em alternar entre ser uma boa mulher (miserável) e um empreendedor rico (sem escrúpulos). | Peter Kleinert

Nascido em Berlim, e após concluir a sua formação em Filosofia, Peter Kleinert iniciou o seu trabalho como dramaturgista e encenador em vários teatros da antiga República Democrática Alemã. Destacam-se, designadamente, as suas encenações em Dresden, Schwerin e Weimar onde, enquanto co-director, liderou a secção de interpretação no Teatro Nacional Alemão. Em 1981, juntamente com director Peter Schroth, encenou A excepção e a regra de Bertolt Brecht, interpretado pela Companhia de Teatro de Almada, que valeu a Canto e Castro o Prémio da Crítica pela sua interpretação. Nos anos 90 Kleinert iniciou a sua carreira de professor de dramaturgia e encenação. Seguidamente, assumiu o cargo de director do Departamento de Encenação da Escola Ernst Busch, em Berlim, função que desempenha há mais de duas décadas. Além da sua carreira docente em Berlim, encenou numerosas peças de Brecht em academias de teatro e teatros em Glasgow, Lyon, Salzburgo, Sydney, Pittsburgh e Nova Iorque. Como dramaturgista colaborou com Thomas Ostermeier, em Amsterdão, Lausanne e no Festival de Salzburgo.  Desde 2011 encena, com maior regularidade, espectáculos com os estudantes da Escola Ernst Busch na Schaubühne de Berlim. Salientam-se, entre os seus últimos trabalhos: Albergue nocturno, de Gorki; Marat/Sade, de Peter Weiss; Santa Joana dos Matadouros, A mãe e A boa alma de Sé-Chuão, de Brecht; e A morte de Danton, de Büchner.


Interpretação: Beatriz Godinho, Érica Rodrigues, Inês Garrido, João Tempera, Miguel Raposo,Pedro Melo Alves, Rita Cabaço e Tomás Alves
Tradução: António Sousa Ribeiro
Cenografia: Céline Demars
Figurinos: Ana Paula Rocha
Desenho de luz: Guilherme Frazão
Assistente de encenação: Aziza Hecht